terça-feira, 14 de setembro de 2010

capa

jovem adora reclamar, adora interagir, ama constestar
mas olhar pra si mesmo jovem não faz, só vê o que ele quer parecer
olhar pra dentro dos outros, jovem também não faz, só olha pro que o outro parece ser
pro que adianta o sentimento, se o nosso a gente ignora?
pro que adianta o sentimento, se os outros só conhecemos por fora?
pra que nasceu o amor, se o ódio apenas se aflora?
pra que sentir a dor, se o que importa é o exterior?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Andando no escuro,
ao barulho do silêncio
ao barulho do vazio

Perturbador é saber
que o que existe agora
amanhã não existe mais

Perturbador é compreender
que o que tens amanhã
não terá de novo jamais

Impossível é viver
sem saber o que esperar
sem saber como sofrer
sem saber como amar
e que tudo irás aprender
assim como errar

Na consciência de uma ignorância
tomando um passo de cada vez
incerto como nada
certo como tudo
a paz do caos não acomoda
a quem nasceu sem saber como viver.

no caminho

ver a vida
afundar
sem ar
sem amar

ver fracassar
errar
não perdoar

ver o tempo passar
sem falar
sem fazer

morrer
sem viver
sem sonhar

terça-feira, 23 de março de 2010

rascunho

Não nasci pra ser a melhor
muito menos pra ser pior
pior que tudo melhor que todos
não vim ao mundo pra esbanjar
todas as minhas tão incríveis qualidades
ou meus tão invisíveis defeitos
Sim, eu nasci pra errar
Eu nasci pra aprender
Eu tô no mundo é pra viver
Não to a fim de saber se você não gosta
do meu rostinho comum,
do meu cabelinho qualquer
da minha imagem de mulherzinha ralé
Eu quero saber a que você veio
Tem algo a demonstrar??
Porque se tem eu quero ver
Não adianta apenas julgar
se você não tem nada pra oferecer

quarta-feira, 3 de março de 2010

linha

A procura de uma nova filosofia
Uma opinião que me permita
Que me transmita a alegria
de viver em paz

paz comigo mesmo
com meus desejos
com meus anseios

anseios de identidade
de felicidade
por encontrar
minha definição

o caráter na minha mão
como catatônica
meu resumo
da minha insônia
do meu insulto

A fuga de uma antiga sintonia
uma opinião que me proíba
que me transmita a agonia 
de viver no caos

sobre nada

gostaria que nada mais me afetasse
que eu me contentasse
em ser assim

a chuva transmite o medo
do meu segredo
que não tem fim

cada mentira é uma verdade
de uma realidade
da minha incapacidade
de ser feliz

terça-feira, 2 de março de 2010

OS OUTROS

Esse é um conto fictício e não diz nada relacionado a mim.
______________________________________________

Todo o dia é a mesma coisa. O clima muda um pouco o comportamento de cada pessoa. Nos dias muito quentes, os rostos ficam avermelhados e suados, a cara, de desespero. Nos dias de chuva, elas ficam mais tristes, com preguiça, os olhares perdem a vida e almeijam um leito.Nos dias normais é quase impossível enxergar o que há por trás de cada pessoa. Problemas no trabalho, em casa, na vida pessoal, conquistas, felicidades... Uma explosão de emoções.
Eu vejo isso pelo simples fato de que eu não tenho mais nada para fazer, até tenho emprego, mas ele é tão inútil que encaro como um meio de passar o tempo. A rotina me sugou e perdi todo o resto de vida que ainda tem para ser vivida. Acordar, ir para o trabalho e trabalhar. Meu dia basicamente se resume a isso.
São tantas vidas em torno do mundo que a minha simplesmente predeu o valor e sentido. Tantas pessoas, tantos conflitos, tanto egocentrismo, que faz parecer que a vida de outro alguém faz mais sentido do que a minha própria.
De volta do trabalho, ando pelas ruas em uma direção, ao meu mundo particular, onde só existe eu e as minhas coisas e os meus problemas. Amanhã finalmente será um novo dia , com novas caras, novos pensamentos, novos sentimentos, de outras vidas.

domingo, 3 de janeiro de 2010

bravacosta

Um pesadelo, ou melhor, o pesadelo. O que mais repetiu-se na minha mente durante toda a minha vida. Era noite, estava num teatro, grande, clássico, observava o circo do andar de cima. Tudo maravilhoso. Mas eu estava angustiada com alguma coisa que eu não consigo me lembrar o que era. Estava meio triste, pra variar. Cansada de assistir aquele ridículo espetáculo me dirigi ao banheiro. Estava de gala, salto alto, vestido longo. Eca. Bom, continuando, fui ao toalete e me olhei no espelho, vi um rosto sem alma, parecia que tinha sido sugada. Isso era bem normal pra mim, então fui lavar o rosto pra ver se a água me livrava um pouco do meu mal humor. Ouvi gritos.
Gritos de pavor, de suplício, de morte. Meu coração simplesmente parou, fiquei muito preocupada, saí correndo pra ver o que estava acontecendo. No corredor sem fim ouvia os meus passos barulhentos porcausa do salto alto. Os gritos ficavam mais intensos. Cheguei e era como ver o inferno na minha frente. O teatro inteiro estava pegando fogo, procurei rapidamente pelos meus pais, não estava os achando, e o desespero me dominou. Virei outra pessoa, como um monstro. Meu amor conseguiu virar meu caráter. Corri demais, o segundo andar estava prestes a desabar, com fogo por todo o lado, era difícil respirar. A neblina foi aumentando, e não conseguia enxergar mais nada. O ar foi acabando, meu pulmão inflava procurando ar fresco, já estava contaminada, nos meus passos, fui perdendo a força, era como se a morte estivesse puxando o meu pé com toda a força.
Caí no chão. A madeira me pareceu o leito perfeito, só consegui pensar em como disperdicei a minha vida. Disperdicei com inutilidades, pensamentos revoltosos que não chegavam em lugar algum. Fui uma idiota esse tempo todo, e agora eu não poderia mais viver tudo o que eu tinha pra viver. O meu coração foi desacelerando, já tinha até esquecido de como se respirava. Olhei pro lado pra esperar que a morte me levasse, e vi uma pessoa me chamando. Eu só podia estar delirando, não era mesmo possível que alguma pessoa ainda estivesse viva lá. E ele foi chegando mais e mais perto, os gritos eram inauditíveis, mas eu podia apenas imaginar como eram.
O segundo andar, que era aonde eu estava, desabava, quando eu perdi o meu chão. Perdi mesmo, mas não caí, eu estava sendo carregada por alguém. Não sei como aconteceu, só consegui dizer quatro palavras: ache os meus pais. depois disso tudo ficou negro.
Abri meus olhos e ainda estava deitada na minha cama. Levantei pra ver se eu e meus pais estavam bem, e estavam. Fiquei meio esquisita mas voltei a dormir.
Esse sonho se repetiu pelo menos umas 15 vezes na minha vida toda.