Foi um sonho. Confesso que um dos mais loucos. Me vi perdida e desamparada na escuridão da noite, no vazio das ruas. Estava preocupada, algo me perseguia, algo que não seria nada bom pra mim. Minha covardia mandou-me correr, lutar pela vida, lutar pelo novo. Mas a minha curiosidade falou mais alto, resolvi encarar.
Resolvi ver o que me perseguia, o que me deixava com tanta angustia e medo de ficar parada em um lugar só. Parei e olhei para os lados, tudo o que vi foram lojas fechadas e apagadas, semáforos que não funcionavam mais, era meu bairro. Era minha vida, morta. Era mórbido, no mínimo um tanto esquisito. Olhei pro chão e era asfalto. Percebi então que estava no meio da rua. Olhei para a frente, vi uma luz forte. Chegava perto, e perto, meus olhos não conseguiam enxergar mais nada além daquela iluminação hipnotizante. Precisava sair dali.
Foi então que comecei a correr. Corria totalmente em vão, meus passos, meus esforços não resultavam na menor distância. Era como correr numa piscina, por mais que você tente, você não consegue ir mais rapido.
E uma sensação de incapacidade me tomou, olhava pra trás e a luz chegava mais perto. Pensava que era um carro. Tentava correr mais rápido, inutilmente, já sabia que não adiantaria. Foi quando eu desisti. Meu suor escorrendo, meus esforços em vão não davam em nada. Parei e resolvi esperar o pior.
Era o terror. Tudo escuro com algo inexplicável e indentificável vindo atrás de você. Foi quando ele surgiu. Aquela criatura tão amedontradora, o objeto de meu suplício pela vida, o meu maior medo em minha frente. Seus olhos cobertos de ódio e rancor tiravam de mim toda a expectativa de sobrevivencia. Ele tinha duas armas nas duas mãos. Era um brinquedo extremamente perigoso. Um coelho, branco e fofo, com olhos de matador.